MELISSA

 

QUANDO ABUSO E A VIOLÊNCIA CONSTROEM UMA HISTÓRIA DE SUPERAÇÃO

“Ao buscar ajuda, percebi o quanto vivi e cresci em uma família abusiva. Fui vítima, desde criança, da forma abusiva como minha família se relacionava. Passei por todo tipo de violência, desde psicológica, verbal, física, moral e até institucional” (Sig Melissa)

Melissa, 34 anos, Cachoeirinha. Melissa significa abelha que produz mel, muito ligada a família, é de confiança e leal. Não gosta de covardia. É prudente e disciplinada. É preciso muita coragem e determinação para transformar, de forma resiliente, uma história de abuso e violência. No entando ela conseguiu virar essa chave, deixando de ser alvo de violência para ser a personagem principal de sua história. Ela conta que viveu um relacionamento doente violento. “Ao buscar ajuda, percebi o quanto vivi e cresci em uma família abusiva. Fui vítima, desde criança, da forma abusiva como minha família se relacionava. Passei por todo tipo de violência, desde psicológica, verbal, física, moral e até institucional. Nessa jornada, tive vários aprendizados, como me empoderar, me fortalecer e me responsabilizar, procurar meu espaço no mundo”, resume.

 

Falar sobre relações abusivas já doeu muito em Melissa e hoje já não dói mais, porque ela passou por um longo processo de cura. Agora ela quer levar a cura a outras famílias, com seu exemplo. O que dói é ver pessoas que precisem se sujeitar a relações disfuncionais e doentes por falta de informação, responsabilidade e consciência. “Por não terem tido acesso ou oportunidade de meios de ajuda, suporte, enfim, conscientização de que existem outras formas mais saudáveis de viver e seguir pela vida”, argumenta.

 

 

O começo de tudo 

 

Melissa conta que ela e seus irmãos cresceram em uma família disfuncional ou abusiva. “Quando engravidei do meu bebê, comecei a ter, em algumas terapias, sinais de que existiam relações abusivas e personalidades tóxicas”, recorda. Pesquisando sobre o assunto, ela descobriu que o problema não era ela. “Percebi como eram tóxicos e abusivos a minha família e meu companheiro. Adoecida, em vez de procurar ajuda em lugares que realmente falavam de cura, sem referência, me perdi e adoecendo cada vez mais, não conseguia sair sozinha. Gritava socorro aos abusadores pensando que os conscientizaria e que mudariam, quando mal sabia que só fazia os irritar mais e mais. Assim, minha revolta os deixava mais agressivos, de forma passiva até agressivos ativos com violência física. Grávida, deprimida, revoltada, desiquilibrada, sozinha, eu e Deus. E claro, minhas incansáveis buscas. Jamais iria desistir de sair do inferno que vivia, minha fé jamais permitiria, pois acredito em vidas saudáveis e melhores.  Sabia que existia uma saída e uma vida melhor, mas foi um processo, um caminho bem longo”, relata.

 

A gravidez foi de risco, com parto complicado e a situação ainda piorou depois do nascimento do bebê. Segundo Melissa, ela foi vítima de abuso institucional no hospital onde o filho esteve na UTI neonatal e ela se recuperou de dores de fibromialgia. Outro passo difícil foi encontrar uma vaga no mercado de trabalho sem suporte financeiro e prejudicando o bebê, que ficou longe da mãe de repente e adoeceu.

“Neste meio tempo, já estava me separando e, ter independência financeira, era a bandeira verde para dar um basta definitivo na relação que já havia acabado há muito tempo. E foi o que finalmente consegui fazer, mas somente com o agravamento da violência doméstica, denúncia e medida protetiva” lembra. Ela conta que passaram vários meses até que obtivesse o diagnóstico da doença do filho: autismo. Então ela e o pai do menino se uniram na busca pelo melhor tratamento para o filho. “Com respeito e equilíbrio, fomos até a fase do julgamento, falar ao juiz que as coisas estavam melhores e que por mudança e responsabilização de ambos poderia ser arquivado o processo. Foi então que cancelamos o processo de divórcio e resolvemos ambos, com suporte psicológico, dar mais uma chance nesta relação, pois avaliamos ainda ter possibilidade de resgate. O que nem sempre acontece, bem sabemos. Mas neste caso atípico, houve responsabilização e o desejo, assim como empenho na mudança de comportamento e a quebra do ciclo”, explica. Os dois passaram a trabalhar por um lar saudável.

 

 

A transformação

 

A respeito da grande virada de página de sua vida, ela explica como conseguiu: “Tive a oportunidade de filtrar canais saudáveis de suporte e informação, livros, terapias, pois a informação e a conscientização têm um papel fundamental neste processo de quebra do ciclo de violência e fortalecimento da mulher. Hoje, compartilho minha história com a finalidade de que esteja a serviço como o depoimento de alguém que superou uma situação de violência e uma vida de abusos e que aprendeu a conviver de forma positiva com o autismo e se fortaleceu enquanto mulher”. 

 

A história de Melissa fez com que ela aprendesse a: curar sua criança interior; resgatar sua identidade; empoderar-se como mulher; impor limites; aceitar-se; cuidar-se; buscar sua missão na vida; assumir responsabilidades, entre muitas outras missões e tarefas como cidadã. Por fim, pode-se afirmar que ela aprendeu a se amar primeiro para, depois, poder amar os outros.

 

Melissa é mais uma mulher, guerreira, a contar sua trajetória, e tem o compromisso de através dela, poder ajudar a diminuir o número de histórias abusivas como a que viveu. 

 

História editada pela jornalista,Stela Vasconcellos Trevisan MTb 7897, revisada pela Profª Joelma Stuart, e pela Psicóloga Ilda Nocchi, CRP 07/15944 

 

 

 

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