DÉBORA

 

  UMA HISTÓRIA DE SUPERAÇÃO

 

“Hoje percebo de longe quando o cara é abusivo e vem me conversando! Consegui ajudar uma afilhada, pois percebi mais rápido que minha família que ela estava passando por uma situação de violência, até maior do que a minha! Ela me agradece até hoje, pois como eu, ela poderia ter morrido!” (sig Débora)

 

Débora, 35 anos, Mestre, servidora pública, moradora de Cachoeirinha. Uma história de superação! Superação da vergonha e da dor, levando-a a ser exemplo para a própria família, dando a ela olhos de águia que veem mais além. Ajudando-a a discernir o perigo e as ciladas que se apresentam na vida! 

Para os outros, Débora e Jair eram o casal perfeito, destinados para o casamento, como prerrogativa para iniciarem o namoro Jair pediu para Débora participar de sua igreja, o que Débora aceitou. Sempre acreditou em bons princípios e na família, no início tudo era perfeito. Porém, com o passar do tempo Jair começou a fazer certas exigências: Débora não podia mais sair com seu carro, pois era “ela” quem dirigia e não “ele”. Apesar de achar isso muito estranho, Débora aceitou. O carro ficava na garagem “criando pó, enquanto tínhamos que sair de ônibus!”, desabafa.  A estranheza de Débora era tanta, que sempre questionava o namorado! Mais tarde veio a segunda exigência: Jair queria que Débora largasse o emprego, o que ela recusou veementemente!

Débora sempre foi uma mulher focada nos estudos, começou a trabalhar muito cedo o que possibilitou, hoje, ser formada, com mestrado e seguindo para o doutorado. Apesar de sempre receber duras críticas de seu pai dizendo, “...você não vai conseguir!” as palavras não a desmotivaram, pelo contrário serviram de combustível para que continuasse a provar que era capaz! Passou em um concurso público, pois aprendeu desde cedo a importância de ter estabilidade financeira. Quando Jair fez essa proposta, foi a gota d’água, ela decidiu terminar! Marcou um encontro dentro de seu carro em um lugar seguro e ali, Débora relatou sua decisão. 

“Tudo foi tão rápido que não consigo me lembrar o que aconteceu!” recorda, “...lembro de pessoas estarem a minha volta, perguntando ‘você está bem?’”.  Débora estava desacordada caída sobre o freio de mão de seu carro, a porta do carona estava aberta e seu namorado já não estava mais ali. Olhou para suas unhas, que recém haviam sido feitas e estavam todas estragadas! Isso mostrava que ela havia lutado por sua vida! “Eu poderia ter morrido! Eu poderia ter morrido!”, fala angustiada. Horas depois, o ex-namorado ligou chorando dizendo estar arrependido do que tinha feito. Débora encontrando forças do profundo de seu ser, falou que não queria vê-lo nunca mais, que estava em frente a uma delegacia e que se ele se aproximasse iria denunciá-lo. “Graças a Deus ele nunca mais me procurou, ficou com medo!”, falou aliviada. Mas, na realidade Débora nunca o denunciou, ficou com vergonha do que aconteceu! Hoje, já não se envergonha, sente-se mais forte, ao ponto de ajudar uma afilhada que estava em situação de violência, o marido a ameaçava de morte todos os dias. Se não fosse por Débora ela poderia estar morta! A Afilhada agradece até hoje pela interferência de sua dinda nesse momento de sofrimento. 

Débora diz com orgulho, “Hoje percebo de longe quando o cara é abusivo e vem me conversando!”. A experiência serviu para aguçar seus olhos, sua percepção e encontrar forças para contar sua história. Dessa forma, ajudar outras mulheres a não passarem pela mesma trajetória que a sua!

 

Psicóloga Cintia Avila da Silva Fraga - CRP 07/33056

 
 

 

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